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Butão

O país que não sabe ser triste

A fotógrafa e escritora Graziela Gilioli procurava um lugar onde a felicidade fosse tratada como coisa séria. E descobriu, no Butão, um lugar que trata o assunto com respeito.

 
por Marina Rossi / fotos Graziela Gilioli / Revista IstoÉ GENTE, edição Setembro de 2013
 

O Butão, ou Terra do Dragão, é um pequeno país localizado entre a gigante China e a mística Índia, com 39 mil quilômetros quadrados de extensão, quase do tamanho do Estado do Espírito Santo. Os cerca de 700 mil habitantes preencheriam uma cidade como Ribeirão Preto, no interior de São Paulo. Mas tamanho não é documento para o Butão. Com 90% de sua população budista, o país leva a sério um estado de espírito que o mundo inteiro persegue: a felicidade.

Em 1972, o então rei do Butão, Jigme Singye Wangchuck, criou o Gross National Happiness (GNH) para medir o índice de felicidade de sua população. Levando em conta fatores como boa governança, reservação da natureza e satisfação em relação aos serviços, o governo passou a medir a felicidade de sua nação. De lá pra cá, o Butão passou a ter apoio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) para colocar esse conceito em prática. Hoje, países como Canadá, Tailândia e Austrália, entre outros, adotaram índices parecidos com a mesma finalidade. No ano passado, a ONU levou para a Rio +20 a discussão de fatores para uma “padronização” desse índice para mensurar a felicidade e o bem-estar por todo o mundo.

“No Butão, eu descobri que
a felicidade é algo possível,
mas que é preciso se dedicar
a essa conquista”

Essa atmosfera de satisfação pode ser sentida, segundo Graziela, logo no primeiro contato com o Butão. “Quando você desce do avião, já sente um cheiro diferente”, diz Graziela. A explicação, segundo ela é porque 75% do país são florestas. “É um ar muito puro”, conta. “Além disso, a condição da mulher no Butão é invejável. A mulher é a mãe natureza e um dos preceitos do GNH é justamente respeitar a natureza”, conta ela, e acrescenta que no Butão as mulheres são respeitadas, admiradas e livres, “e se sentem bem por participarem da construção do país delas”.

Desde que foi criado, o GNH já foi experimentado em diversos outros países. Aqui no Brasil, a Fundação Getulio Vargas criou algo parecido para medir a felicidade dos brasileiros. No Butão, o tema é levado tão a sério que está em construção um centro de estudos do GNH, em Bhumthang.

Graziela é uma militante ferrenha no assunto. A viagem lhe serviu de pesquisa para um projeto chamado “Felicidade Bruta”, que discorre sobre o tema no universo feminino. “Pretendo fotografar nos dez países de maior índice de GNH”, afirma. A próxima etapa desse trabalho será compartilhar esse aprendizado aqui no Brasil, por meio de exposições itinerantes.

No que depender do encanto de Graziela com o lugar, o retorno é certo. “O que mais me impressionou no Butão foi o respeito que os butaneses têm pela natureza e pelos outros – a hospitalidade, a sinceridade, a franqueza, a generosidade e a compaixão, que são praticados no dia a dia, são perceptíveis em todos os detalhes”, disse. “Vou voltar para lá com certeza!”

DICAS de Graziela

Antes
Aprenda a dizer Kuzuzangpola, que é “olá” de forma respeitosa. Antes de embarcar, sugiro ler “Invoking Happiness” de Khenpo Phuntsok Tashi. Esse livro vai preparar a mente e o coração para chegar ao Butão com a alma livre e sem preconceitos. O acesso ao Butão tem de ser por uma agencia local, eu usei a Norbu Bhutan Travel. 
 
Durante
Em Paro, não deixe de ir ao Ninho do Tigre (Taktsang Monastery), Museu Nacional de Máscaras (Ta Dzong), Montanha da Deusa (Drukgyel Dzong). Na capital do Butão, himphu, vá à Estátua de Buda (Kuensel Phodrang) e ao Centro do Governo (Trashi Chhoe Dzong). Em Punakha, visite o Templo da Fertilidade (Chimi Lhakhang), o Palácio da Grande Felicidade (Punakha Dzong) e as 108 estupas – tipo de monumento ou templo criado em forma de torre – (Dochula Pass).
 
Depois
Kadencheyla! (significa “obrigada”, de forma respeitosa)
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